Buscando a palavra mais certa

Quando escrevo, eu mando a tristeza embora - o que não significa dizer que ela vá. Na maioria das vezes, fica: se disfarça, se esconde e se confunde comigo mesma.

16.10.09

Ao cara que tem me consumido

Há tantos caminhos a seguir quando a ideia é falar de você que acabo me perdendo diante das possibilidades. Os pensamentos ficam desconexos e em desalinho.
O jeito é ir colocando as palavras pra fora, sem nenhuma pretensão de coesão textual ou coerência emocional.

Tem certas coisas que são só suas e que muito me encantam. Uma maturidade, por exemplo, que docemente afronta a minha ao mostrar que para ser feliz basta um pouquinho de coragem.

Também acho massa a sua capacidade de se entregar sem amarras, que faz um contraponto interessante com essa forma impertinente de me olhar, fingindo desconfiança, apenas para me deixar sem graça e me fazer sentir culpada por estar distraída.

Me amarro nesse seu jeito leve de ser. E de estar. Só quem tem sensibilidade índigo e aura cristal consegue ser tão etéreo.

Acho que posso abrir parêntese aqui para blasfemar o Universo por ter lhe colocado no meu caminho. Mesmo sabendo que ele sempre conspira a meu favor, ouso pensar o contrário. Um inútil mecanismo de defesa, vã tentativa de me manter numa zona de segurança emocional, só para não ter o delicado trabalho de desconstruir minhas convicções e ressignificar a mim e a tudo o que eu quis.

Só agora percebo o quanto é difícil falar de você. É correr o risco de expor um sentimento que eu não aprendi a dominar, e que meu instinto de preservação aconselha esconder.

Sei que é um desafio sobre-humano tentar represar algo que já transborda. Mas, ainda que eu me cale, não haverá silêncio nem segredo: os sentimentos têm vida própria e acabam falando por si mesmos.