Buscando a palavra mais certa

Quando escrevo, eu mando a tristeza embora - o que não significa dizer que ela vá. Na maioria das vezes, fica: se disfarça, se esconde e se confunde comigo mesma.

30.6.11

Motel está fora do programa de domingo

Admiro quem consegue aderir a essa tal de Simplicidade Voluntária. Mas, para mim, por enquanto, não dá. Procuro trabalhar o desapego, só que ainda não me vejo abrindo mão de certas comodidades, como um carro, por exemplo.

Se Salvador tivesse um serviço de transporte público decente, vá lá. Mas não é o caso.

Bicicleta é uma excelente opção, mas para as cidades mais frias. Cidades que lhe permitem sair de casa e chegar ao trabalho com a elegância blasé dos que não suam.

O carro facilita e muito o meu direito de ir e vir, mesmo quando a cidade está parada. É punk praticar a simplicidade voluntária e ter que andar de ônibus em Salvador. Pense aí: engarrafamento, um calor da zorra, buzu lotado, você ali em pé com sua mochila pesada, os sentados fingindo que estão dormindo pra não lhe darem uma força, branquinho fazendo fio terra.

Tudo isso, é claro, considerando o fato de que o motorista não passou direto, nem por fora do ponto, e que você conseguiu entrar no “humilhante” (definição do Dicionário de Baianês).

Fico aqui me perguntando como aquele senhor que passou no Fantástico, o que se desfez do carro e das motos, vai pra motel. É fato que tem gente que vai andando ou de táxi. Mas é foda. Se bem que, pra essa galera aí, motel deve ser um puta luxo.