I believe in DOG
Estava chuviscando quando saí da agência para almoçar. Era em torno de 13 horas. Segui pela Orla, dobrei à esquerda, mas não caí no mar, nem em mim. Estava distraída. Aliás, mais ou menos. Passei por um carro adesivado com uma informação que me interessava. Alguns metros à frente, decidi parar. Estacionei, mas não desliguei o motor. Desci do carro, fui até a adesivagem, anotei um número, vim discando. Entrei no carro. Ocupado. Voltei, anotei outro número. Fora de área. Por mim, não era nada tão urgente assim. Antes, precisava almoçar e levar umas roupas para lavar.
Chegando perto da galeria onde costumo almoçar, estacionei. Dessa vez, desliguei o carro, claro. Em frente a uma casinha modesta, um cachorro preto me abanava o rabo. Meti a mão pelo portão, sem medo, troquei meia dúzia de palavras com ele e lhe fiz uns afagos. Ele me retribuiu com lambidas. Aprendi, não sei onde, que quando um cachorro lhe abana o rabo, não vai morder. Confio nisso. Às vezes dá certo. Mas eis que a chuva engrossou e precisei me despedir do meu mais novo amigo, prometendo voltar um dia. Não cheguei a correr, porque ninguém se despede, correndo, de um cachorro, mesmo sob chuva.
Ao chegar à galeria, soube que o lugar tinha acabado de ser assaltado. Pois é, escapei por pouco. Há os que acreditam em milagre. Há os que acreditam em acaso. Eu continuo acreditando em cachorro.
E cachorro preto dá sorte.

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