Buscando a palavra mais certa

Quando escrevo, eu mando a tristeza embora - o que não significa dizer que ela vá. Na maioria das vezes, fica: se disfarça, se esconde e se confunde comigo mesma.

11.5.16

NÃO TÁ FÁCIL PRA NINGUÉM. OU TÁ?

Depois de ficar alguns anos na pista, tô procurando uma vaga para acostar. Tipo alguém fixo, saca? Nos últimos três meses, conheci, no sentido bíblico da palavra, uns 5 caras. Não sei se esse número é assim tão expressivo. Tem algum site que calcula essa zorra? Ah, deixa lá! Amanhã falo com minha terapeuta, apesar de já saber a resposta, ou melhor, a pergunta: tem regra? Não sei se posso dizer que não tá fácil pra ninguém, porque tem quem não esteja pegando nem isso. E olhe que eu sou seletiva pra caramba, viu? Mas tem gente que, ao longo da vida, só pega um, aquelas tias de antigamente, por exemplo. Isto sem falar nos que morrem virgens, né? Pô, coitados, gente. Sacanagem... Então, melhor evitar dizer isso, porque, pra mim, talvez esteja fácil, sim. Talvez eu que esteja dificultando. E outra coisa: também venho aprendendo a cultivar a gratidão. Por isso vou parar de dizer que tá difícil. Mas que tá foda, tá. Putz! Depois de escrever esse 5 lá em cima, fiquei encucada. Ainda bem que não foi em número cardinal, senão, seria pior. Deixe assim mesmo, em arábico. Pois é, esses algarismos, para mim, de certa forma, são representativos, porque veem carregados de uma espécie de frustração, saca? É... pô, frustração. Mas, por outro lado, botando na ponta do lápis, acho 5 muito pouco. Traduzindo em algoritmo... Porra, algoritmo não. Ninguém vai entender. Acho que nem eu. Então, traduzindo em bom português, ou melhor, em orgasmo, isso não dá 10 minutos corridos. Caralho! É foda, velho. Isso porque teve um filho de Deus que me deu uma alegriazinha. Se não fosse essa boa alma (e bom corpo, vale dizer), era zero prazer messsssssmo. Estou falando de mim, porque para eles, com certeza valeu e muito. E digo isso sem falsa modéstia, porque, se tem algo em que eu invisto, é na arte de dar prazer. E dou. Como não quero ser injusta, de todos os cabras dos últimos meses, teve esse que foi coisa de cinema (filme pornô, claro). Era o pica das galáxias. Sim, você pode me perguntar, e por que não deu certo? Bom, essa é uma expressão que eu nem costumo usar. Nem quando o bolo queima. Porque dar certo, para mim, não significa ser pra sempre. Dar certo, em termos de relacionamento, é fazer os envolvidos felizes por um tempo. Nesse caso, deu certo por uma semana ou duas. E olhe que eu sou do tipo que acredita, que investe, que banca a ideia. Não começo um lance com o pé atrás, saca? Me jogo de cabeça, não tenho frescura, regrinha, pé no chão, traumas. Ainda que tenha havido uma ou outra inversão de expectativa, não dirijo olhando pro retrovisor. Dou um saque de vez em quando, mais para rir do que ficou pra trás do que para projetar o que vem pela frente. Esse cara aí é o único que vale a pena citar. Não que os outros sejam imprestáveis. São gente boa até. Ainda tenho o telefone deles gravado. Vai que... né? Ô... Mas saca aqueles caras que não acrescentam? Ao contrário, só sugam: tempo, paciência, grana, energia. E minha energia é algo que prezo muito. Mesmo o sexo, de que tanto falo, é energia, né? Então. Pô, esse cara era massa. Tinha uma grande chance comigo. Mas, infelizmente, um complexo de inferioridade maior ainda, uma insegurança, sei lá... algo que me sufocava. E por mais que eu queira alguém fixo, não quero alguém grudado. Não quero prender, nem ser prisioneira. Preciso de liberdade incondicional, individualidade, autonomia de voo. É uma pena, viu? Porque, de boa, foi a melhor trepada de minha vida. Mas vale a pena namorar uma pessoa só porque ela é boa de cama? Pra mim, uma boa trepada não vale a minha paz de espírito. Mas, por outro lado, dá pra ter paz sem trepar?